sexta-feira, 16 de março de 2012

Próxima sessão da comunidade de leitores

Na próxima 4ª feira, 21 de Março, pelas 14h30, a comunidade de leitores irá participar numa nova sessão de leitura e de escrita criativa. Até ao momento o grupo participou em duas sessões de escrita, uma dedicada ao medo e outra ao tema do segredo. Qualquer uma das sessões anteriores se revelou muito interessante e inspiradora e assim pensamos continuar. Aguardamos a participação de mais alunos. As atividades são promovidas num clima agradável, havendo em cada sessão uma estratégia lúdica diferente da anterior que tem por finalidade despoletar o escritor que há em cada aluno. Porque acreditamos no poder desta atividade fora da sala de aula, continuaremos a apostar nela, aguardando a participação de mais alunos. Para ajudar à valorização dos textos, temos a colaboração das artes, através da ilustração dos textos escritos.
Ilustração de André Letria

domingo, 11 de março de 2012

Para o Medo do Miguel Júnior

O Segredo

         Desde que nascera que Martim se lembrava de ouvir falar no Velho.
Quando andava na escola primária, ia logo pela manhã ao café do Sr. Joaquim, já por essa hora as pessoas comentavam sobre o Velho. Este sempre fora um motivo de curiosidade na aldeia, pois ninguém sabia nada de concreto sobre ele. 
Um dia, ao lanche, depois de chegar da escola, Martim perguntou ao avô porque é que toda a aldeia falava tanto sobre o Velho.
- O Velho sempre foi muito estranho. E já lhe chamavam Velho, mesmo quando era novo, disse o avô.
        O rapaz ficou muito indignado e perguntou por que motivo é que o Velho era tão estranho.
- É estranho, porque vive na serra, longe de todos, sem se dar com ninguém.
Martim, que sempre tivera tantos amigos, ficou a pensar como é que alguém conseguia viver sem se dar com ninguém. O avô contou-lhe que o Velho vivia assim, porque tinha um segredo. O rapaz não percebeu como é que um segredo é incompatível com o facto de se ter amigos. Assim, decidiu ir falar com o Velho.
No sábado de manhã, levantou-se cedo e saiu para a rua. Estava um dia de sol com uma temperatura muito agradável. Ao subir a serra, logo se avistava a casa do Velho.
Era uma casa antiga, mas bem conservada, com apenas uma janela e uma porta. A entrada tinha um canteiro com umas ervas que nunca tinha visto. A porta estava entreaberta e, como Martim nunca lidou muito bem com a curiosidade, entrou. Encontrou uma casa atulhada de objectos antigos, de imensos livros e papéis, fazendo com que quase se perdesse no meio de tudo aquilo. À medida que passava de sala para sala, parecia que ainda existiam mais divisões. E a casa… que a ele lhe tinha parecido tão pequena por fora, apresentava-se-lhe agora um sítio onde uma pessoa se podia perder! A certa altura, o Velho apareceu e perguntou-lhe o que é que ele estava ali a fazer. Martim ficou gélido e congelado, sem resposta. O Velho, ao vê-lo tão assustado, convidou-o para almoçar. O rapaz, ainda consumido pela curiosidade, aceitou.
Ao almoço, a conversa começou devagar, com perguntas e palavras simples, e foi fluindo, até que Martim ganhou coragem e questionou o porquê de o Velho viver ali sozinho e de forma tão isolada. O Velho explicou-lhe que se devia ao facto de ele ter algo muito precioso naquela casa e que não deveria ser deixado sozinho. Martim perguntou-lhe se poderia saber o que era e o Velho respondeu-lhe:
         - Podes, pois o que eu aqui tenho deveria ser partilhado com o mundo, mas nunca quis saber. Acham-me uma pessoa estranha.
         - Dizem que tens um segredo, disse Martim.
         - Eu não tenho nenhum segredo. As pessoas é que criaram esse segredo acerca de mim.
         - Então o que é que tens de tão precioso? – perguntou o Martim.
         - Os meus livros. Foram eles que me deram esta casa repleta de objectos do mundo inteiro, de imagens, de todas as recordações e ideias dos sítios onde já estive, apesar de nunca ter saído daqui, porque sempre viajei nos livros.

quarta-feira, 7 de março de 2012

O Medo

    O medo é algo constante, algo que nos faz mover, algumas vezes positivamente, outras vezes negativamente. Fisicamente, o medo intromete-se em muita coisa, até nas mais simples coisas. Se me perguntarem do que tenho medo, direi… Tenho medo de te perder, de nunca mais ver o pôr do sol contigo, de nunca mais acariciar a tua face, de nunca mais te ver, de nunca mais beijar o teu rosto. São estes os medos que se apoderam de mim e me deixam sem jeito, que me tomam e me fazem divagar… Divagar não sei para onde, não poderei dizer que o meu medo é físico, mas sim sentimental, é uma parte minha mais lamechas.
        Tenho medo da guerra, das pessoas desconhecidas, do desconhecido que se me apresenta turvo e disforme, em que nada faz sentido e sou tomado por ele… o medo. Nunca fui muito dado a essas coisas de ter medo, mas ultimamente apercebi-me que ele existe e está presente nas minhas recordações, pois tenho medo que nada volte a ser como dantes, como quando eu chegava a casa e tu dizias “ boa tarde”, dos verões em que íamos no carro, sem rumo, a ouvir música  e a cantar… mas o medo tomou-te e é pena… transformou-te naquilo que és hoje e me faz sentir afastado de ti.  Não digo que sejas fraca, mas digo sim, que te deixaste influenciar por um amedrontador, esse mesmo que agora me assusta, a mim, que me ria dos teus medos e que agora me faz ter medo de ti. O Medo que me toma faz-me pensar no porquê, porque é que ele decidiu intrometer-se na minha vida, na minha curta vida, que me obrigou a crescer rapidamente, porque é que ele me mostrou a realidade de forma tão brusca e seca. Mas de qualquer forma, eu tinha de crescer e o medo veio simplesmente adiar isso. Neste momento, sinto que o Medo é alguém que, em vez de progredir, regride, prejudicando assim os outros. Mas felizmente, todas as histórias contam que os Vilões ajudam os heróis a crescer.