Conto de Gustavo Brites (10º CTA) - Escrita criativa:
Numa tarde límpida de Primavera, o
rapaz esperava ansiosamente pelo seu amigo, numa das muitas esplanadas
existentes naquela tão conhecida praça. O rapaz era baixo, tinha cabelo
castanho e uns olhos castanho-escuros, como a maioria das pessoas. A tal
esplanada, escolhida ao acaso para aquele encontro, localizava-se num dos
cantos da praça, ao lado de uma das mais antigas pensões da cidade. Enquanto
esperava pelo seu amigo, o rapaz olhou a pensão que estava a seu lado,
imaginando como esta sobreviveu e resistiu por mais de 100 anos. Enquanto se
lembrava de quando foi à reabertura da pensão após a sua remodelação, o seu
amigo chegou e sentou-se na única outra cadeira que se encontrava naquela mesa
da esplanada.
Ilustração de Ricardo Rodrigues, 11º AVA
Desde que chegou à praça até o amigo
chegar, já tinham passado 20 minutos, minutos esses que passaram num ápice.
Além de olhar a pensão, olhou também em seu redor e notou que tudo se
encontrava calmo. Por fim, olhou para o seu amigo e disse:
- Já estava a pensar que não vinhas.
Logo de seguida, o amigo retorquiu:
- O trânsito na entrada da cidade estava
ao rubro. Era impossível chegar mais cedo.
- Não faz mal. O importante é que vieste.
- Porque é que te querias encontrar
comigo?
- Queria pedir-te um favor. Mas, como
tens andado?
- Tenho andado bem, felizmente. Que tipo
de favor? Aconteceu-te alguma coisa?
- Não, não me aconteceu nada. Porque
haveria de ter acontecido?
- Não sei, pareces estranho.
Após ter dito isto, o amigo do rapaz
chamou o empregado, que nesse momento passava perto da mesa, com o seu
tabuleiro circular cheio de bebidas vazias e algumas moedas. Pediu-lhe uma
água.
Passado um pouco, o rapaz retomou a
conversa, dizendo:
- Estive a pensar muito sobre a minha
vida nos últimos dias e…
O rapaz ia continuar a falar, quando o empregado
chegou com a água. Colocou-a em cima da mesa circular, que se encontrava no
meio dos dois amigos. Após o empregado se ter ido embora, o amigo perguntou,
curioso:
- Isso tem alguma coisa a ver com o favor
que me querias pedir?
Logo de seguida, o rapaz respondeu:
- Digamos que está relacionado.
Continuando o que eu estava a dizer, pensei muito e decidi que vou para o
Canadá.
- Como?! Mas tu não trabalhavas no Jornal
Público? Um trabalho que tu tanto gostavas e que estavas sempre a falar sobre
as tuas reportagens…
- Sim, gostava e continuo a gostar, mas
na semana passada recebi uma carta a dizer que fui despedido. No mês passado já
tinha ouvido rumores acerca de despedimentos, contudo nunca imaginava que fosse
eu a ser despedido. Enfim…
- Então e por isso vais trabalhar para o
Canadá?
- Sim. Como tu sabes, eu sempre gostei do
Canadá, da sua cultura, do seu modo de vida e que adorei as únicas duas vezes que
lá fui. Por isso, logo que fui despedido, mandei o meu currículo para um canal
de televisão canadiano e eles responderam-me logo no dia seguinte,
aceitando-me. Isso mostra que eles são competentes, o que eu gosto.
- Fico feliz por teres arranjado
trabalho, num tão curto período de tempo.
- Mas agora com quem vou eu conversar?-
perguntou o amigo, sorrindo.
- Podemos falar através da internet, e eu
estarei sempre disponível para falar contigo.
- Não será a mesma coisa, mas eu
adaptar-me-ei. E que favor me queria pedir tu há pouco?
- Ah, o favor. Queria-te pedir que
ficasses a tomar conta do meu cão, o Spyke. Infelizmente, eu não o vou poder
levar e eu confio em ti para o tratares bem.
- Claro que tratarei bem dele!
O rapaz sorriu, levantou-se e, após o seu
amigo se ter levantado, deu-lhe um abraço. De seguida exclamou, já a mostrar a
saudade que tinha do amigo:
- Obrigado por seres o amigo que és!
- De nada! Espero ir-te visitar um dia
destes.- respondeu o amigo.
E com isto, saíram da esplanada, com o
sol já se a esconder por entre os prédios vizinhos e a tarde a chegar ao fim.
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