Conto de Maria Carolina Eugénio (10ºCTA) - escrita criativa:
O rapaz encontrava-se sentado a uma
mesa numa esplanada muito frequentada, numa grande cidade, de calças de ganga,
uma camisola azul a combinar com o azul dos seus olhos e o louro do seu cabelo
e ainda vestia um casaco quente, pois não havia quem aguentasse aquele frio.
Mesmo ao seu lado estava um casal, que o criado foi servir e, de imediato,
dirigiu-se à sua mesa. Pediu um café, enquanto esperava por um amigo. Era hora
de almoço e estava muita gente na praça, havia muito ruído e o rapaz, para se
distrair, olhou em direcção ao horizonte e só conseguia observar uma imensa
escuridão e as nuvens negras no céu e, de repente, começou a chover. O barulho
da chuva era intenso e a chuva não parava de cair sobre a calçada da praça e
daquela grande cidade. Depressa se instalou uma grande algazarra e as pessoas
começaram a fugir entre os pingos da chuva de traços imprecisos que soavam,
parecia uma melodia incómoda que ninguém queria ouvir. Mas o rapaz estava
esperando o seu amigo, então entrou para dentro de café e, entretanto, o outro
rapaz chegou todo molhado e sentaram-se rapidamente numa mesa.
Eram os melhores amigos e o motivo
que os levava ali era a viagem com que ambos sonhavam há muito realizar juntos.
Já tinham o destino bem definido, Jamaica. Este pareceu-lhes interessante e
diferente tal como queriam. Faltava agora acertar pormenores, mas no meio de
tanta conversa nem se aperceberam que já era fim de tarde e estava a cair a
noite. Despediram-se muito contentes, pois para ambos esta viagem significava a
concretização de um sonho, mas, ao mesmo tempo, o fortalecimento de laços de
amizade. Regressaram então às suas casas, mas o amigo de rapaz não esperava a
notícia inesperada que acompanhava a sua namorada. Quando chegou a casa, de
imediato a sua namorada lhe disse:
- Senta-te!
Ele um pouco indignado, perguntou:
- Por que
queres que me sente? Tens algo para me dizer?
Ela, com grandes rodeios, pronunciou:
- Sim, quer
dizer, talvez, ou melhor não, espera…
Por momentos ambos se calaram, olhando um para o outro.
De seguida, ele apenas disse:
- Calma,
está tudo bem. Respira!
E de novo perguntou:
- Já
percebi que me queres dizer algo importante e deves imaginar como estou ansioso
por saber, mas entendo que não queiras ou que não consigas dizer agora.
Mas ela muito rapidamente disse:
- Estou
grávida. Era isto que te queria dizer. Dentro de mim tenho a semente do nosso
amor, um dia será a flor e mais tarde uma árvore de ramos curvos, sem uma
estrada direita por onde o nosso fruto um dia irá caminhar sozinho, quando já
tiver maduro.
Ambos sorriam sem parar…
Ela continuava:
- Isto tudo
para te dizer que vamos finalmente criar uma família.
Mas espantada por tanto silêncio, questionou:
- Não dizes
nada? Preciso que fales.
Ele não sabia o que dizer de tanta felicidade que sentia, mas depressa se
lembrou de um pequeno pormenor, a viagem que acabara de combinar. Passaram
apenas escassos segundos e reagiu:
- O amor e
a amizade são grandes bases na vida. Óbvio que estarei ao teu lado neste momento
da nossa vida, mas há um convite que te quero fazer, mas não hoje, nem aqui.
Fazemos assim, amanhã, encontramo-nos na esplanada na grande praça e dir-te-ei.
Era por volta das dez da manhã,
quando naquela esplanada o casal de namorados se encontrou. O rapaz rapidamente
sugeriu que se sentassem e falou:
- Antes de
me dizeres que ia ser pai tinha planeado fazer uma viagem à Jamaica com o meu
grande amigo, mas para mim a Jamaica não é agora simplesmente um destino, mas a
nossa nova casa. E para além disto tenho um pedido a fazer-te:
- Queres
casar comigo?
Os olhos da rapariga brilhavam e de
imediato respondeu: sim! E acrescentou:
- Novo
país, nova casa, nova vida é tudo aquilo com que alguém pode sonhar, ou melhor
que isso é um sonho que é apenas possível quando as pessoas unidas lutam pelo
aquilo que acreditam e por valores que a cada um pertence.
De malas feitas a caminho do
aeroporto, estes três jovens partiam para uma nova aventura e para um novo
desafio de vida.
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