terça-feira, 11 de junho de 2013

Numa esplanada de uma praça

Conto de Gustavo Brites (10º CTA) - Escrita criativa:
        
 Numa tarde límpida de Primavera, o rapaz esperava ansiosamente pelo seu amigo, numa das muitas esplanadas existentes naquela tão conhecida praça. O rapaz era baixo, tinha cabelo castanho e uns olhos castanho-escuros, como a maioria das pessoas. A tal esplanada, escolhida ao acaso para aquele encontro, localizava-se num dos cantos da praça, ao lado de uma das mais antigas pensões da cidade. Enquanto esperava pelo seu amigo, o rapaz olhou a pensão que estava a seu lado, imaginando como esta sobreviveu e resistiu por mais de 100 anos. Enquanto se lembrava de quando foi à reabertura da pensão após a sua remodelação, o seu amigo chegou e sentou-se na única outra cadeira que se encontrava naquela mesa da esplanada.    
           
       Ilustração de Ricardo Rodrigues, 11º AVA

Desde que chegou à praça até o amigo chegar, já tinham passado 20 minutos, minutos esses que passaram num ápice. Além de olhar a pensão, olhou também em seu redor e notou que tudo se encontrava calmo. Por fim, olhou para o seu amigo e disse:
       - Já estava a pensar que não vinhas.
       Logo de seguida, o amigo retorquiu:
       - O trânsito na entrada da cidade estava ao rubro. Era impossível chegar mais cedo.
       - Não faz mal. O importante é que vieste.
       - Porque é que te querias encontrar comigo?
       - Queria pedir-te um favor. Mas, como tens andado?
       - Tenho andado bem, felizmente. Que tipo de favor? Aconteceu-te alguma coisa?
       - Não, não me aconteceu nada. Porque haveria de ter acontecido?
       - Não sei, pareces estranho.
       Após ter dito isto, o amigo do rapaz chamou o empregado, que nesse momento passava perto da mesa, com o seu tabuleiro circular cheio de bebidas vazias e algumas moedas. Pediu-lhe uma água.
       Passado um pouco, o rapaz retomou a conversa, dizendo:
       - Estive a pensar muito sobre a minha vida nos últimos dias e…
       O rapaz ia continuar a falar, quando o empregado chegou com a água. Colocou-a em cima da mesa circular, que se encontrava no meio dos dois amigos. Após o empregado se ter ido embora, o amigo perguntou, curioso:
       - Isso tem alguma coisa a ver com o favor que me querias pedir?
       Logo de seguida, o rapaz respondeu:
       - Digamos que está relacionado. Continuando o que eu estava a dizer, pensei muito e decidi que vou para o Canadá.
       - Como?! Mas tu não trabalhavas no Jornal Público? Um trabalho que tu tanto gostavas e que estavas sempre a falar sobre as tuas reportagens…
       - Sim, gostava e continuo a gostar, mas na semana passada recebi uma carta a dizer que fui despedido. No mês passado já tinha ouvido rumores acerca de despedimentos, contudo nunca imaginava que fosse eu a ser despedido. Enfim…
       - Então e por isso vais trabalhar para o Canadá?
       - Sim. Como tu sabes, eu sempre gostei do Canadá, da sua cultura, do seu modo de vida e que adorei as únicas duas vezes que lá fui. Por isso, logo que fui despedido, mandei o meu currículo para um canal de televisão canadiano e eles responderam-me logo no dia seguinte, aceitando-me. Isso mostra que eles são competentes, o que eu gosto.
       - Fico feliz por teres arranjado trabalho, num tão curto período de tempo.
       - Mas agora com quem vou eu conversar?- perguntou o amigo, sorrindo.
       - Podemos falar através da internet, e eu estarei sempre disponível para falar contigo.
       - Não será a mesma coisa, mas eu adaptar-me-ei. E que favor me queria pedir tu há pouco?
       - Ah, o favor. Queria-te pedir que ficasses a tomar conta do meu cão, o Spyke. Infelizmente, eu não o vou poder levar e eu confio em ti para o tratares bem.
       - Claro que tratarei bem dele!
       O rapaz sorriu, levantou-se e, após o seu amigo se ter levantado, deu-lhe um abraço. De seguida exclamou, já a mostrar a saudade que tinha do amigo:
       - Obrigado por seres o amigo que és!
       - De nada! Espero ir-te visitar um dia destes.- respondeu o amigo.


       E com isto, saíram da esplanada, com o sol já se a esconder por entre os prédios vizinhos e a tarde a chegar ao fim.

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