quarta-feira, 5 de junho de 2013

Numa praça, numa esplanada...

Conto de Márcia Presume (10º CTA) - escrita criativa:


            O rapaz estava sentado a uma mesa numa esplanada de uma praça. Vestia cores escuras, tinha cabelo negro e os seus olhos eram castanhos quase pretos.
         A esplanada estava vazia, pois as pessoas recolhiam-se no interior do café. Enquanto o rapaz escondia o seu nariz por baixo do cachecol, a empregada chegava, não perguntou nada, inclinando-se apenas e o rapaz pediu um chocolate quente. Era meio da tarde, o Sol estava escondido por detrás das nuvens escuras. O rapaz olhava fixamente o outro lado da praça, tentando avistar o seu amigo, mas via apenas nevoeiro que era penetrado pelas luzes dos carros empilhados, formando uma fila desordeira.
         As grandes árvores que rodeavam a praça começavam a baloiçar, perdendo as suas últimas folhas…
         O rapaz, de vez em quando, olhava o relógio, mas rapidamente voltava a olhar o outro lado da praça. Foi num desses momentos de alheamento que o amigo chegou. O rapaz fez-lhe sinal, mas ele já o tinha visto. Sentou-se ao pé e olhou em volta, como se procurasse alguém. Passados uns momentos de silêncio, o amigo sugeriu sentarem-se no interior do café, onde uma lareira aconchegava todos os clientes, mas infelizmente todas as mesas estavam ocupadas.
         O rapaz sentia que o seu amigo tinha algo para lhe contar, mas sempre que lhe perguntava o que se passava este desviava a conversa. Passados uns instantes a empregada chegou com o chocolate quente, voltando-se para o amigo do rapaz a perguntar se tomava alguma coisa. Este pediu o mesmo…
         O rapaz continuou a insistir na pergunta, mas mais uma vez o amigo desviou a conversa.
         Passaram-se vários minutos de silêncio, até que o amigo começou a desabafar:
         -Todos temos medo… Uns da doença, outros da rejeição… E ainda há aqueles que têm medo do medo. Mas na realidade ninguém tem medo de cair, mas sim de se magoar. Ninguém tem medo de arriscar, mas sim de se arrepender…
         -Mas afinal o que queres dizer com isso? – questionou o rapaz.
         -Em janeiro vou ser operado ao coração… Ou viverei como uma “pessoa normal”, ou adiarei a morte… Sempre que penso nela, gera-se uma enorme confusão na minha cabeça! Se eu morrer, deixarei de pensar, sem pensar vejo escuro, mas não vou ver escuro, porque estarei morto. Como é possível o Mundo continuar e eu não ver, … vou reduzir-me a nada.
         - Oh Manuel, vais ver que vai correr tudo bem, ciência e a tecnologia está muito desenvolvida!

         - Obrigado João, mas… se não correr?! Só quero imaginar que entrarei num sonho profundo… Ficarei a sonhar até ao infinito…

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