Conto de Márcia Presume (10º CTA) - escrita criativa:
O rapaz estava sentado a uma mesa numa esplanada de uma
praça. Vestia cores escuras, tinha cabelo negro e os seus olhos eram castanhos
quase pretos.
A esplanada estava vazia, pois as
pessoas recolhiam-se no interior do café. Enquanto o rapaz escondia o seu nariz
por baixo do cachecol, a empregada chegava, não perguntou nada, inclinando-se
apenas e o rapaz pediu um chocolate quente. Era meio da tarde, o Sol estava
escondido por detrás das nuvens escuras. O rapaz olhava fixamente o outro lado
da praça, tentando avistar o seu amigo, mas via apenas nevoeiro que era
penetrado pelas luzes dos carros empilhados, formando uma fila desordeira.
As grandes árvores que rodeavam a praça
começavam a baloiçar, perdendo as suas últimas folhas…
O rapaz, de vez em quando, olhava o
relógio, mas rapidamente voltava a olhar o outro lado da praça. Foi num desses
momentos de alheamento que o amigo chegou. O rapaz fez-lhe sinal, mas ele já o
tinha visto. Sentou-se ao pé e olhou em volta, como se procurasse alguém.
Passados uns momentos de silêncio, o amigo sugeriu sentarem-se no interior do
café, onde uma lareira aconchegava todos os clientes, mas infelizmente todas as
mesas estavam ocupadas.
O rapaz sentia que o seu amigo tinha
algo para lhe contar, mas sempre que lhe perguntava o que se passava este
desviava a conversa. Passados uns instantes a empregada chegou com o chocolate
quente, voltando-se para o amigo do rapaz a perguntar se tomava alguma coisa.
Este pediu o mesmo…
O rapaz continuou a insistir na
pergunta, mas mais uma vez o amigo desviou a conversa.
Passaram-se vários minutos de silêncio,
até que o amigo começou a desabafar:
-Todos temos medo… Uns da doença,
outros da rejeição… E ainda há aqueles que têm medo do medo. Mas na realidade
ninguém tem medo de cair, mas sim de se magoar. Ninguém tem medo de arriscar,
mas sim de se arrepender…
-Mas afinal o que queres dizer com
isso? – questionou o rapaz.
-Em janeiro vou ser operado ao coração…
Ou viverei como uma “pessoa normal”, ou adiarei a morte… Sempre que penso nela,
gera-se uma enorme confusão na minha cabeça! Se eu morrer, deixarei de pensar,
sem pensar vejo escuro, mas não vou ver escuro, porque estarei morto. Como é
possível o Mundo continuar e eu não ver, … vou reduzir-me a nada.
- Oh Manuel, vais ver que vai correr
tudo bem, ciência e a tecnologia está muito desenvolvida!
- Obrigado João, mas… se não correr?!
Só quero imaginar que entrarei num sonho profundo… Ficarei a sonhar até ao
infinito…
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