Passaram-se anos, o mundo em que vivo já não é o mesmo em que vivemos e muitas vezes chego a acreditar que não passou tudo de um sonho. Mas olho para a única lembrança que tenho de ti e recordo. Tu foste real e esta saudade que eu sinto é real.
Eu não passava de um cobarde sozinho no mundo e, para a vida, tu eras a heroína da nossa história que não estava sozinha no mundo, mas estava sozinha para a vida.
Quando penso em tudo o que fomos, chego a pensar que foi tudo um acordo inacabado, mas olho para a única lembrança que tenho de ti e recordo.
O mundo do “faz de conta” em que vivemos durante um ano, ou mais, não me lembro do tempo que passei contigo, apenas me lembro que foi grandioso, importante, mágico.
Quando me cruzo com o teu pai e ele age como se não tivesses existido, eu chego a pensar que não passou tudo de uma ilusão, mas olho para a única lembrança que tenho de ti e recordo.
Para todos, eu não passava de um monstro que vivia com uma pesada maldição. E eu acreditava que era um monstro e agia como tal. Acreditava que não tinha sentimentos e vivia na solidão, a pensar que apenas o sofrimento dos outros me satisfazia. Mas então, tu entraste na minha vida e eu deixei de me ver ao espelho dessa forma. Passei a ver apenas uma pesada maldição, uma pesada herança que começava a desaparecer.
Quando me olho ao espelho e vejo que o monstro está de volta, assim como a pesada maldição, a pesada herança, chego a acreditar que foste apenas um vulto no nevoeiro. Mas olho para a única lembrança que tenho de ti e recordo.
Tu disseste-me uma vez “Qualquer maldição pode ser quebrada!” e eu não acreditei, não acreditei que alguém poderia amar-me e fui mau… e matei-te. Não com as minhas próprias mãos, mas levei-te a escolher a morte em vez da vida.
“Sabes, tu estavas a libertar-te. Poderias ter sido feliz, se acreditasses que alguém poderia amar-te, querer-te. Mas preferiste não arriscar”, foram estas as tuas últimas palavras, hoje, passados tantos anos, eu lembro-me de ti e tenho saudade do que tu fizeste de mim. Mas são essas saudades, essas memórias que me lembram que tu foste verdadeira, que tu exististe e não foste apenas uma feliz ilusão.
Olho para a única lembrança que tenho de ti e recordo, olho para a chávena que partiste e recordo. Pois a saudade, as lembranças, as memórias residem nessa única lembrança que eu tenho de ti. A chávena lascada.
Inês Ferreira
Eu não passava de um cobarde sozinho no mundo e, para a vida, tu eras a heroína da nossa história que não estava sozinha no mundo, mas estava sozinha para a vida.
Quando penso em tudo o que fomos, chego a pensar que foi tudo um acordo inacabado, mas olho para a única lembrança que tenho de ti e recordo.
O mundo do “faz de conta” em que vivemos durante um ano, ou mais, não me lembro do tempo que passei contigo, apenas me lembro que foi grandioso, importante, mágico.
Quando me cruzo com o teu pai e ele age como se não tivesses existido, eu chego a pensar que não passou tudo de uma ilusão, mas olho para a única lembrança que tenho de ti e recordo.
Para todos, eu não passava de um monstro que vivia com uma pesada maldição. E eu acreditava que era um monstro e agia como tal. Acreditava que não tinha sentimentos e vivia na solidão, a pensar que apenas o sofrimento dos outros me satisfazia. Mas então, tu entraste na minha vida e eu deixei de me ver ao espelho dessa forma. Passei a ver apenas uma pesada maldição, uma pesada herança que começava a desaparecer.
Quando me olho ao espelho e vejo que o monstro está de volta, assim como a pesada maldição, a pesada herança, chego a acreditar que foste apenas um vulto no nevoeiro. Mas olho para a única lembrança que tenho de ti e recordo.
Tu disseste-me uma vez “Qualquer maldição pode ser quebrada!” e eu não acreditei, não acreditei que alguém poderia amar-me e fui mau… e matei-te. Não com as minhas próprias mãos, mas levei-te a escolher a morte em vez da vida.
“Sabes, tu estavas a libertar-te. Poderias ter sido feliz, se acreditasses que alguém poderia amar-te, querer-te. Mas preferiste não arriscar”, foram estas as tuas últimas palavras, hoje, passados tantos anos, eu lembro-me de ti e tenho saudade do que tu fizeste de mim. Mas são essas saudades, essas memórias que me lembram que tu foste verdadeira, que tu exististe e não foste apenas uma feliz ilusão.
Olho para a única lembrança que tenho de ti e recordo, olho para a chávena que partiste e recordo. Pois a saudade, as lembranças, as memórias residem nessa única lembrança que eu tenho de ti. A chávena lascada.
Inês Ferreira
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