Atracado no caís há já 13 dias, Clarstar mantinha-se firme e hirto, sem
pestanejar, com frio e já com alguma fome decidiu mais uma vez explorar a zona
que o circundava.
Não
comia nada desde a manhã e os parcos mantimentos que levara no barco chegariam
agora para uns escassos dois dias. Tinha só três barris de rum e quatro de
pólvora.
Já
putrefacto, o cadáver do seu companheiro emanava um cheiro nauseabundo e
Clarstar decidira deitá-lo ao mar. Morrera de escorbuto, dez dias após se terem
perdido e aportado àquela ilha deserta e misteriosa.
Há
já algumas horas que Clarstar ouvira o som de papagaios e aves exóticas. Caminhou
alguns metros mas teve medo de avançar, aliás, era o medo que o impedia de se
fazer ao mar e tentar regressar, o medo de se perder outra vez, o medo de
arriscar, o medo de lutar.
Clarstar
tinha perdido a família no mar, durante um pacato passeio de Domingo e esta era
a primeira viagem que fazia, após o trágico acontecimento. Pretendia ir viver
para outro lado, para outro país, de forma a esquecer tudo o que vivera. Já
tinha arriscado uma vez e via-se agora sem forças para lutar de novo.
Não
sabia o que fazer, estava completamente sozinho e perdido, se continuasse assim,
iria morrer. As imagens daquela terrível tempestade que os tinha deixado
perdidos no meio do Pacífico regressavam-lhe agora à memória com intensidade. Lembrava-se
de ter acordado junto àquela ilha e, desde então, já por sete vezes tentara
descobrir o que o rodeava.
Tirou
os três barris de rum e os quatro de pólvora do barco. Juntou-os todos e
atou-os com uma corda. Puxou de um fósforo e, ao lançá-lo, ouviu-se um enorme …
pi…pi…pi…pi…pi… era o despertador.
Clarstar,
um bem-sucedido homem de negócios finlandês, sabia agora que todos os dias
valem a pena e que o medo não nos pode consumir!
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